semi-ânime
sob o mesmo sol
que nasce, pari
a folha morta em flor
aflora à pele, à seiva
adere o fim
em cada broto
semea-dor
sob o mesmo sol
que nasce, pari
a folha morta em flor
aflora à pele, à seiva
adere o fim
em cada broto
semea-dor
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TatiResinentti
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12:20 AM
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pra recolher curvas nas estradas
predestinação biocronometrada
a la carte acaso
destino a rolê
posta sobre a mesa
a vida pra comer
fast-food d'água
nada sobre a gente
na atual neblina da próxima manhã
cobrir-se vento
ser tom sobre tom
sobre o calendário
uma mancha de café
realçando o tempo
pretenso a esquecer
num fast-food d'água
que é nada sobre a gente...
(mas fode sobre a gente)
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TatiResinentti
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11:14 PM
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vivamos hoje
como o último dia
de hoje o
último dia de
hoje amanhã
é o último dia
nascido hoje
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TatiResinentti
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1:12 AM
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há profundezas em que ele soletra [afônica?] versus {ao à tona
fica! à tona atônica
numa marcha que conduz
em}
e não se desvenda
agora!
quando à mão recua o ato
sente o prurido da palavra que remata o verso
mas não conclui a prosa
um abraço que não embarca na noite
e um marulho que não se faz soar
nas profundezas ele soletra
!
fica, nos lençóis, atônita e afônica
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TatiResinentti
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7:42 PM
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1.
Ela dizia essas coisas como uma criança ingênua que durante uma brincadeira afirma "Mamãe, eu vou afogar essa boneca" e afunda o corpo inerte numa bacia de água límpida. Pronunciava cada palavra se deliciando com o espanto que elas me causavam e que se tornava explícito nos olhos arregalados, nos lábios entreabertos, no peso da respiração. Ela mordia a ponta da boca - malícia! - mas a expressão era tão serena que eu não ousava reputar-lhe condenação.
2.
"Bate! Bate que ela te obecede. Porque mulher é assim, funciona com incentivo. É dinheiro, trepada ou porrada, você é quem escolhe o que te agrada mais." [ri]
"Que isso, Elias, tá pensando que eu sou o quê? Essa mulher é de família, de família tá entendendo? Num é uma dessas que andam soltas por aí não, essa é pra casar. Só não obedece." [enfia amendoim na boca]
"Meu amigo, mulher de família quem faz é o homem. Se ela é santa ou puta, boa cozinheira, dona de casa, cama, mesa e banho, quem vai decidir?... é você! Depois num diz que eu não te avisei. [pausa] [fala devagar] Bate! [arreganha os dentes] Ôoo, garçom, a loura gelada é pra agora ou eu vou ter que me virar com a branquinha na cama?"
3.
"Merda de sapato!" Atirou-os em um canto qualquer e sentiu com alívio o suspiro dos pés. "Ah, se fosse eu..." Acendeu um incenso, jogou-se nas almofadas da sala e engatinhou as pernas pela parede até o vestido embrenhar-se pelo meio das coxas. "Eu teria socado" - ela sabia que sim - "tinha me descido a mão na cara". Esticou-se como um gato, contorcida de prazer. [sorri, mordendo a unha do indicador] "Ainda existem homens muito cheios de pudores..."
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TatiResinentti
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8:54 AM
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se queres gozar desta vida
de medir-te pelas calçadas
em fazer-te menos que aquém
porventura soubesses
que me faria pouco ou nada
só pra cimentar nessa estrada
que, por pouco ou nada, te sustém
acaso o cheiro dos passeios
polvilharia nos cabelos
pra ter o perfume de ninguém
e se queres que eu te esqueça
decerto assim eu o farei
como inverna um jardim coberto de flores
e a terra o aroma sustém
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TatiResinentti
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9:23 PM
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no escuro
todos os gatos são pardos.
alguns tem o faro apurado dos cachorros
outros, não mais que o rabo de fora.
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TatiResinentti
às
2:45 AM
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manobrou um soco para arriar aquela cara insolente e desavergonhada
ponderou
um beijo cala essa matraca mais rápido
meteu as mãos por baixo da saia e vingou-se da forma que ela merecia:
despudoradamente.
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TatiResinentti
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11:06 PM
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me dá essa mão de nascer enredos
fábrica de brinquedos
das unhas de cada um dos seus dedos
à raiz dos meus cabelos
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TatiResinentti
às
11:26 PM
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desnudei o pé tatuado e pedi
lê-me!
os olhos da pele na ponta da língua
e ele sempre preferiu o espaço entre as linhas
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TatiResinentti
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6:08 AM
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TatiResinentti
às
9:36 AM
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despediu-se do espartilho vermelho
antes que chegasse ao amanhecer
a noite vinha sempre de pernas abertas.
à noite, também.
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TatiResinentti
às
2:45 AM
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Memórias são como filmes desencontrados e quem já assistiu a um filme do David Lynch haverá de saber do que eu falo. A história é sempre mirabolante, um começo que não diz nada, um meio que bem poderia ser um fim e um desenlace (existe mesmo um desenlace?) que, por mais trágico que seja, guarda invariavelmente um sorriso feliz à face de quem o revive.
É sim, porque eu não conheço alguém que não veja o passado como um não-lugar grandioso. “Eram tão bons aqueles dias”, costumam dizer. E realmente eram! O decorrido tem por sorte o verniz esmaecido do tempo, uma camada aveludada do mais inube esquecimento que se possa imaginar. Assim como um bom filme, uma lembrança que se preze passa por um rigoroso processo de montagem na qual a elipse é o elemento chave a sua sobrevivência.
E por falar em memória, a edição brasileira da National Geographic deste mês tem como matéria principal... a Memória! Com o subtítulo “Lembrar e esquecer: estudos tentam explicar a essência de nossas vidas”, a reportagem se concentra nos dois extremos: os personagens reais AJ, 41 anos, que “lembra-se de quase todos os dias de sua vida a partir dos 11 anos de idade”, e EP, 85 anos, que “só se recorda de seu pensamento mais recente”.
Sinceridade? Se eu – e a torcida do Flamengo – pudéssemos escolher, seríamos, certamente, EP! Relata o repórter Joshua Foer que ele, EP, “acorda de manhã, toma café e volta para a cama para ouvir rádio. Mas, de volta à cama, nem sempre sabe se acabou de tomar café ou de acordar. É comum ele tomar café de novo e regressar à cama a fim de ouvir rádio outra vez. De vez em quando, faz isso três vezes.” (Meu Deus, esse homem tem estômago de avestruz!!!!!)
Continuando: “Faz caminhadas pelo bairro (...) Senta-se no quintal. Lê o jornal (...). Quem é Bush? Que Iraque? Computadores, como assim? (...) Depois de ler a previsão do tempo, ele rabisca bigodes nas fotos ou traça o contorno da colher que tem na mão. Quando vê o preço das casas no caderno de imóveis, invariavelmente proclama seu espanto. (...) pelo que ele saiba, a gasolina custa 25 centavos o litro e o homem nunca pisou na Lua”.
Gostaram? Pois eu adorei! Lembranças são prazerosas mas o caminho que lidera a este resultado é incrivelmente doloroso. Entre intervalos, making-offs, seleção de casting, de cenas deletadas, etc., há uma distância grande que não cabe nas elipses fixadas. Neste percurso, muita informação se perde – “Ei, isso aconteceu mesmo?” – e com ela, parte do fascínio que regula o factual. O encanto da realidade, adversa à recordação, não se concentra no seu caráter estético e sim, emocional. Tudo o que sentimos, por pior que seja, só faz parte da exatidão daquele momento específico e, depois de incrustado na memória, ganha uma roupagem tão bonita que mesmo a dor mais doída é um deleite recordar.
Um bom exemplo é “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”, do francês Michel Gondry. Lançado em 2004, o filme conta a história de Joel (Jim Carrey) cuja mulher, Clementine (Kate Winslet), após uma crise na relação, vai ao consultório da Lacuna Inc. e o deleta de sua memória. Magoado, Joel resolve passar pelo mesmo procedimento; entretanto, durante o processo de apagamento, ele se arrepende e decide manter as recordações, a despeito de toda a dor vivida. A partir de então, começa a luta de Joel que, emboscado em sua própria mente, tenta impedir que os médicos façam Clementine sumir.
Sem querer ser ensaística, o filme é um argumento bem interessante sobre a fugacidade das relações humanas (quaisquer que sejam elas, desde amor até amizade). Prova disso é que somos apresentados à história de Joel e Clementine mais pela limpeza que este faz de suas lembranças que pelo presente (factual) vivido pelo casal. O apego às recordações é o que alinhava e desenrola a trama, e é neste - talvez único para Joel - universo que Clementine gravita. “Amar o amor”, como diz Roland Barthes em seu livro “Fragmentos de um Discurso Amoroso”: “e se chegar o dia em que eu tiver que renunciar ao outro, o luto violento que toma conta de mim então, é o luto do próprio Imaginário: era uma estrutura querida, e choro a perda do amor, não de fulano ou fulana”.
O que importa, portanto, é a edificação deste Imaginário sugerido por Barthes; já que a superficialidade toma frente das relações atuais – nas quais é sempre possível apagar e/ou substituir o outro (uma cara-metade inesquecível por noite, aquele amigo de coração que você conheceu há uma hora e com quem viveu momentos incríveis) – então o que resta é a plástica das memórias deixando exclusivamente o que convém à satisfação da tal “estrutura querida”. “É, vai ficar muito bonito quando eu contar”.
É por isso que decidi fundar o movimento Pró-EP ou I want Lacuna Inc. on my mind. Quero também fazer parte da horda que se alivia nas multidões, que não utiliza a memória como agente autoregulador (sim, eu apóio a castração do meu superego) mas que aceita as regras tal como elas se desencadeiam do lado de fora. "Ele é feliz o tempo todo. Muito feliz. Acho que é porque não sofre nenhuma tensão na vida", afirma a filha de EP.
Já dizia Fernando Pessoa, em seu "Livro do Desassossego", que "de sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos". À guisa desta vitrine moderna estamos todos sempre sujeitos à substituição. Pratique a amnésia social e boas compras!
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TatiResinentti
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10:45 AM
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10:36 AM
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Tenho orkut, logo existo.
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TatiResinentti
às
11:58 PM
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tudo o que fala
faz verão à voz do universo
trazendo o instante para o além de lá
tudo o que se tatua no vento
tapeia o contato e vela a superfície das coisas
com o pretexto das naturezas semi-mortas
que reclamam vida num canto qualquer da memória
e se derrubam à sorte de um incerto amanhã.
haverá o dia em que colheremos no infinito
os resquícios das palavras ditas em surdina
e será, só então, que a vida começará...
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TatiResinentti
às
11:40 PM
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que ninguém se engane
lambida, sou sabor ferida
ando mais pra fel que favo de mel
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TatiResinentti
às
11:28 PM
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por trás de toda via
tem uma vida que freme
se espreme
para passar em um buraco de agulha
portando córcovas de camelo.
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às
11:54 PM
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6:41 PM
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quem sabe o que há de vir
daquilo que há a dever?
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11:08 PM
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Não pisa em grama quem não quer colher quilo.
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3:51 PM
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um ter-se pouco
que é ser-se pouco
que é ver-se pouco
querer-se pouco
de pouco a pouco
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TatiResinentti
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3:47 PM
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se à distância
o branco
à vista
insiste
à mente sana
o negro
é que persiste
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1:31 PM
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7:01 AM
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11:14 PM
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TatiResinentti
às
8:01 AM
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douto em letras clandestinas
estirado à calçada, um vígil mendigo
é o oráculo de katmandu.
com a caneta-tinteiro, ele arranha em papiro
o registro de cancros que não cicatrizam
de porres, ressacas que vê pervagar.
do inventário lavrado à nanquim invisível
de sendas raptadas do absoluto sigilo
na folha de rosto, ele anota os vícios
de uma santa de barro, disposta a quebrar.
resmunga preces de fervoroso desatino
a desnuda do véu, imaculado vestido
só para vê-la em carne, maldita e fugaz.
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TatiResinentti
às
11:37 PM
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A esperança é a última que morre...
mas a razão é a primeira que chega.
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TatiResinentti
às
8:24 PM
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Para me fazer de barata
não é necessário que me esmague com os pés.
Basta colocar-me no prego a preço de banana.
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TatiResinentti
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4:32 PM
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