sábado, novembro 17, 2007

E já que toda memória é, antes de tudo, um discurso, complemento com uma citação que, muito embora tenha sido aplicada originalmente ao enlace amoroso, bem serve às relações gerais estabelecidas durante a vida de todas as pessoas:
"(...) o discurso amoroso é hoje de uma extrema solidão. Tal discurso talvez seja falado por milhares de sujeitos (quem pode saber?), mas não é sustentado por ninguém; é completamente relegado pelas linguagens existentes, ou ignorado, ou depreciado ou zombado por elas, cortado não apenas do poder, mas também de seus mecanismos (ciência, saberes, artes). Quando um discurso é assim lançado por sua própria força na deriva do inatual, deportado para fora de toda gregariedade, nada mais lhe resta além de ser o lugar, por exíguo que seja, de uma afirmação."
Roland Barthes - Introdução de "Fragmentos de um Discurso Amoroso"

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