vivamos hoje
como o último dia
de hoje o
último dia de
hoje amanhã
é o último dia
nascido hoje
sexta-feira, dezembro 28, 2007
terça-feira, dezembro 25, 2007
há profundezas em que ele soletra [afônica?] versus {ao à tona
fica! à tona atônica
numa marcha que conduz
em}
e não se desvenda
agora!
quando à mão recua o ato
sente o prurido da palavra que remata o verso
mas não conclui a prosa
um abraço que não embarca na noite
e um marulho que não se faz soar
nas profundezas ele soletra
!
fica, nos lençóis, atônita e afônica
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TatiResinentti
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7:42 PM
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sábado, dezembro 22, 2007
Cena em três cortes
1.
Ela dizia essas coisas como uma criança ingênua que durante uma brincadeira afirma "Mamãe, eu vou afogar essa boneca" e afunda o corpo inerte numa bacia de água límpida. Pronunciava cada palavra se deliciando com o espanto que elas me causavam e que se tornava explícito nos olhos arregalados, nos lábios entreabertos, no peso da respiração. Ela mordia a ponta da boca - malícia! - mas a expressão era tão serena que eu não ousava reputar-lhe condenação.
2.
"Bate! Bate que ela te obecede. Porque mulher é assim, funciona com incentivo. É dinheiro, trepada ou porrada, você é quem escolhe o que te agrada mais." [ri]
"Que isso, Elias, tá pensando que eu sou o quê? Essa mulher é de família, de família tá entendendo? Num é uma dessas que andam soltas por aí não, essa é pra casar. Só não obedece." [enfia amendoim na boca]
"Meu amigo, mulher de família quem faz é o homem. Se ela é santa ou puta, boa cozinheira, dona de casa, cama, mesa e banho, quem vai decidir?... é você! Depois num diz que eu não te avisei. [pausa] [fala devagar] Bate! [arreganha os dentes] Ôoo, garçom, a loura gelada é pra agora ou eu vou ter que me virar com a branquinha na cama?"
3.
"Merda de sapato!" Atirou-os em um canto qualquer e sentiu com alívio o suspiro dos pés. "Ah, se fosse eu..." Acendeu um incenso, jogou-se nas almofadas da sala e engatinhou as pernas pela parede até o vestido embrenhar-se pelo meio das coxas. "Eu teria socado" - ela sabia que sim - "tinha me descido a mão na cara". Esticou-se como um gato, contorcida de prazer. [sorri, mordendo a unha do indicador] "Ainda existem homens muito cheios de pudores..."
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TatiResinentti
às
8:54 AM
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sexta-feira, dezembro 21, 2007
se queres gozar desta vida
de medir-te pelas calçadas
em fazer-te menos que aquém
porventura soubesses
que me faria pouco ou nada
só pra cimentar nessa estrada
que, por pouco ou nada, te sustém
acaso o cheiro dos passeios
polvilharia nos cabelos
pra ter o perfume de ninguém
e se queres que eu te esqueça
decerto assim eu o farei
como inverna um jardim coberto de flores
e a terra o aroma sustém
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TatiResinentti
às
9:23 PM
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terça-feira, dezembro 11, 2007
Catus (et canis) erectus
no escuro
todos os gatos são pardos.
alguns tem o faro apurado dos cachorros
outros, não mais que o rabo de fora.
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TatiResinentti
às
2:45 AM
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