douto em letras clandestinas
estirado à calçada, um vígil mendigo
é o oráculo de katmandu.
com a caneta-tinteiro, ele arranha em papiro
o registro de cancros que não cicatrizam
de porres, ressacas que vê pervagar.
do inventário lavrado à nanquim invisível
de sendas raptadas do absoluto sigilo
na folha de rosto, ele anota os vícios
de uma santa de barro, disposta a quebrar.
resmunga preces de fervoroso desatino
a desnuda do véu, imaculado vestido
só para vê-la em carne, maldita e fugaz.
sábado, dezembro 02, 2006
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3 comentários:
indigo mendigo
despido de jeans,
pintado tecido
de blues antigos,
de tão gastos
já anis
quer vestir-se de lama
e secar-se à calçada
mastiga cacos de barro
sobre os panos manchados
lindo, tatipoeta!
Depois de um tempo escondido, taí o novo, como vc pediu: http://conversasempolgadas.blogspot.com
Beijo
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