sábado, setembro 23, 2006

Trying to let the music play...

A Cruz E A Espada

Letra: Paulo Ricardo e Luiz Schiavon
Voz: Renato Russo e Paulo Ricardo

Havia um tempo, em que eu vivia
Um sentimento quase infantil
Havia o medo e a timidez
Todo um lado que você nunca viu
Agora eu vejo, aquele beijo
Era mesmo o fim
Era o começo do meu desejo
Se perdeu de mim
E agora eu ando
Correndo tanto
Procurando aquele novo lugar
Aquela festa
O que me resta
Encontrar alguém legal pra ficar

Agora eu vejo, aquele beijo
Era mesmo o fim
Era o começo do meu desejo
Se perdeu de mim (2x)

E agora é tarde
Acordo tarde
Do meu lado alguém que eu nem conhecia
Outra criança adulterada
Pelos anos que a pintura escondia

Agora eu vejo, aquele beijo
Era o fim, o fim
Era o começo do meu desejo
Se perdeu de mim (2x)

segunda-feira, setembro 18, 2006

Pro fundador de Katmandu

Não faz frio em Katmandu.
Nem venta.
Em Katmandu
também não faz calor.
Nunca é inverno
nem verão.
Cá em Katmandu
não nascem flores
porque não chove.
E não risca a terra, a seca
porque não é sertão
e o sol, de fato, não existe.
Katmandu não está a um passo.
Katmandu já é aqui.
Tão grande de se perder
Miúdo de se sumir.

Na epopéia não-escrita de Katmandu
havia um relógio
roubado das horas.
As horas ficaram
e, para Katmandu, só a carcaça foi.
Sobraram os ponteiros
que apontam precisamente
o tempo que Katmandu não tem.

No meio do caminho para Katmandu
também não tinha uma pedra
porque não se encontram caminhos
que passem por ali.
Não havia casa muito engraçada,
sem teto, sem nada
ou trovadores e poetas que cantassem
o espaço que Katmandu não tem.

Sentada sobre os longos cabelos
castanhos-vermelhos de riscos-calmarias
sua única habitante
desenha no ar
sonhos que o vento, por não existir
também não carrega.
Da garota de Katmandu
sem vestes e sem nudez
levaram o espelho para se olhar.
Pequena desprovida de sombras
às vezes, acha difícil de se acreditar.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Porque quiseste
uma noite
então, eu fui
Uma noite
vejas bem
te concedi
Só uma noite
que em breve
se conclui
Toda uma noite
foi o que te prometi
Não mais que a noite
me interessa
o tempo flui
E nesta noite
o que disseres
serei para ti
Basta uma noite
em que poderás sentir
Vestido o corpo
os olhos instam a te despir
Afora a noite
rompe a luz
mas que há de vir?
Dessa noite
que ora expira
já me esqueci
Era uma noite
que, de tão noite,
amanheci
E um raiar
que, de tão dia,
escureci.