Nostalgia dos tempos de faculdade? Escreva um texto sobre comunicação!!! (E eu que achei que tinha esquecido como se fazia para escrever!!) Rs
Homens e mulheres percebem que muitas das perguntas próprias dos cidadãos (...) recebem suas respostas mais através do consumo privado de bens e dos meios de comunicação de massa do que pelas regras abstratas da democracia ou pela participação coletiva em espaços públicos. (Canclini, 1995)[1]
Bastaria uma rápida olhada ao nosso redor para verificar que a frase acima é a mais pura expressão da realidade. Desde o momento em abre os olhos de manhã, até a hora em que se deita, o homem recebe os produtos de um complexo midiático que, muito além de cumprir com sua função de interatuação, revela-se como uma via de mão única, na qual transitam valores e conceitos que se mostrem adequados ao funcionamento da “máquina comunicativa”.
As novas tecnologias de informação, contrariando algumas pessimistas previsões que não atentavam para o futuro dos media, acabaram se proliferando a ponto de inexistir aspectos da esfera pública ou privada que não se enquadrem em um de seus domínios. E, se o início da comunicação se fez há cerca de 35.000 anos, foi somente nos últimos dois séculos que o termo vai perdendo seu significado essencial para definir o nascente – e agora já firmado – processo de midiatização.
Tais mudanças no decurso do sistema comunicacional ocorreram, principalmente, ao longo do século XX, período de firmação do capitalismo e, como conseqüência, da estruturação empresarial em torno do acesso à informação. A lógica do laissez-faire, se por um lado fomenta a competição, por outro permite a formação de organizações de caráter oligopólico que, associados aos avanços tecnológicos e ao advento da globalização, se tornaram transnacionais e hegemônicas.
Para tanto, foi necessária uma modificação no discurso adotado pela mídia: campos que antes apresentavam contornos muito bem delimitados, passaram, hoje, a coabitar. Antigamente, a retórica utilizada transformou a informação em um artigo passível de venda às massas, logo, estas deveriam ser capazes de diferenciar o produto adquirido, ou seja, a informação, da publicidade. O que acontece na atualidade é que os meios de comunicação se associaram aos produtores de bens de consumo e vendem “consumidores a seus anunciantes”[2]; em alguns casos a empresa jornalística chega a ter participação percentual nos lucros advindos da venda dos produtos anunciados. Não raro se encontra na Internet, links para sites de vendas de produtos entremeadas a notícias presentes em jornais de renome. É inegável o comprometimento da credibilidade mediante tais acordos que, com a convergência das mídias, vêm se tornando a cada dia mais comuns.
A difusão e influência alcançadas pelos veículos de comunicação se devem, também, a características que, atualmente, são a marca registrada do sistema. Sendo destinada a atender aos interesses dos anunciantes e tendo sua produção paga quase que totalmente por este, a informação é repassada ao consumidor, se não gratuita, com um valor monetário bem reduzido. Pode-se observar que em grande parte dos sites é possível navegar livremente, bastando que, para isso, o usuário faça a inscrição do seu e-mail para recebimento da newsletter, isto é, publicidade do próprio site e de seus associados, personalizada ao consumidor pelo uso do banco de dados.
Outra característica da informação é a velocidade: a notícia é veiculada em todas as partes do globo instantânea e simultaneamente. Não importa a localização geográfica do indivíduo; é quase certo que ele esteja inserido em uma das formas de recebimento de dados. Tal rapidez, longe de visar a uma participação mais abrangente da sociedade como um todo, veio atender às necessidades da economia mundial, possibilitando que as grandes corporações adotem medidas em curto prazo. Quanto às informações que chegam à população, estas são mais e mais semelhantes ao discurso panfletário, com manchetes impactantes, textos curtos, superficiais e permeados de achismos. O escasso tempo destinado à fabricação do conteúdo jornalístico vem fazendo da notícia um artefato subjetivo, sobre a qual pesam as impressões e sentimentos do jornalista.
Além – e, talvez, acima – destas particularidades relacionadas ao tema discutido, esteja a espetacularização da mídia. Os meios de comunicação mais do que servirem à disseminação de informação, fazem-na dedicada ao entretenimento. A indústria cultural é, hoje, o ramo mais importante de todo o complexo econômico, por ser o elemento que ditará as regras a serem seguidas pelos consumidores. O desenvolvimento de um sistema cultural forte – leia-se persuasivo – garante o condicionamento público aos ditames políticos, religiosos, sociais e, obviamente, econômicos.
Daí que as empresas midiáticas não estejam se restringindo as suas áreas de atuação específicas. As megafusões, ou seja, junção de empresas especializadas em funções distintas, estão se tornando parte da evolução natural do setor comunicacional. As razões para a unificação passam aquém e além do que seria considerado convencional. Em outras palavras, qualquer que seja o serviço oferecido por uma empresa associada à “máquina”, esta terá que se prestar ao espetáculo.
Foi durante e através do desenvolvimento da indústria cultural que os parâmetros vigentes na fórmula norte-americana do chamado “fazer comunicação”, foram assimilados pelo mundo. A estética, as técnicas, as abordagens, em suma, quase todos os padrões utilizados no globo atualmente, tiveram como princípio o modelo imposto pelos Estados Unidos. Desde o fim da 2ª Guerra Mundial, período este em que se efetivou a sua expansão ideológica, o molde da nação hegemônica transformou a comunicação em uma peça homogênea, um produto cultural insosso, engolido a seco pela horda de consumidores globais.
Contracorrente, a despeito do nome comunicação social, os movimentos comunicativos de base realmente social são exceções e tentam reverter o cenário presente. Seus alicerces também estão resguardados pelo lucro mas este se concilia aos objetivos fundamentais da difusão informacional. O que se passa nestes veículos de comunicação alternativos é que os princípios empresariais capitalistas não se sobrepõem e sim, se compactuam com o conceito e a prática da democracia.
A pluralidade de valores e idéias, mais do que uma utopia, procura, nos meios alternativos, ser parte da realidade. Esta é, inclusive, um dos pontos de defesa da Internet, espaço aberto à livre informação, direitos iguais de circulação de pensamentos opostos e culturas diferentes.
Com o crescimento do número de pessoas que possuem educação formal superior e, pressupõe-se, a elevação do nível sócio-cultural da população, opera-se um maior questionamento em relação ao papel a ser assumido pelo indivíduo no sistema de comunicação. A Internet possibilita que a sociedade atue ativamente no processo de produção e disseminação da informação, exigindo que se revejam as funções dos atores em cena. Não há como conter o florescimento de discursos heterogêneos na rede, provocando uma reavaliação da mídia como um todo.
Muito freqüentes nos últimos tempos, têm sido os debates e pesquisas acerca dos complexos informacionais. Estudam-se seu nascimento e desenvolvimento, discutem-se suas características e influências, questionam-se o seu caráter elitista e fragmentador. Buscam-se alternativas para a exclusão digital e para a melhoria da mídia. Percebe-se que a sociedade parece abandonar, aos poucos, o mundo das sombras para vislumbrar a verdade dos fatos.
Atitudes concretas provam que não é onírico, o sonho de uma outra comunicação. O site do “America Society of Magazine Editors” é um exemplo disso, deixando explícita sua posição:
“A ‘ASME’ criou linhas de direção para garantir clara a distinção existente entre publicidade e material editorial” e “em 1996, a ASME anunciou que seguiria padrões para independência editorial, um esforço para confirmar os mais altos no jornalismo de revista e para enfatizar a independência comercial e de pressões não jornalísticas”.[3]
Postura semelhante é adotada pelo site do programa televisivo “Observatório da Imprensa” que se assume colaborador na construção de uma mídia mais democrática:
“Entidade civil, não-governamental, não-corporativa e não-partidária, que pretende acompanhar, junto com outras organizações da sociedade civil, o desempenho da mídia brasileira. O ‘Observatório da Imprensa’ funcionará como um fórum permanente onde os usuários da mídia - leitores, ouvintes e telespectadores -, organizados em associações desvinculadas do estabelecimento jornalístico, poderão manifestar-se e participar ativamente num processo no qual, até agora, desempenhavam o papel de agentes passivos”.[4]
A maioria dos movimentos de resistência ao domínio dos meios de comunicação é encontrada na Internet, que se transformou em um pólo de convergência dos insatisfeitos. A população civil está conquistando, ao largo, o espaço virtual, o qual se mostrou, por um lado tridente de Netuno e, por outro calcanhar de Aquiles dos media. A nova configuração que rebenta é apenas o começo de uma outra história: do reinado das máquinas em um universo dirigido por homens.
Bastaria uma rápida olhada ao nosso redor para verificar que a frase acima é a mais pura expressão da realidade. Desde o momento em abre os olhos de manhã, até a hora em que se deita, o homem recebe os produtos de um complexo midiático que, muito além de cumprir com sua função de interatuação, revela-se como uma via de mão única, na qual transitam valores e conceitos que se mostrem adequados ao funcionamento da “máquina comunicativa”.
As novas tecnologias de informação, contrariando algumas pessimistas previsões que não atentavam para o futuro dos media, acabaram se proliferando a ponto de inexistir aspectos da esfera pública ou privada que não se enquadrem em um de seus domínios. E, se o início da comunicação se fez há cerca de 35.000 anos, foi somente nos últimos dois séculos que o termo vai perdendo seu significado essencial para definir o nascente – e agora já firmado – processo de midiatização.
Tais mudanças no decurso do sistema comunicacional ocorreram, principalmente, ao longo do século XX, período de firmação do capitalismo e, como conseqüência, da estruturação empresarial em torno do acesso à informação. A lógica do laissez-faire, se por um lado fomenta a competição, por outro permite a formação de organizações de caráter oligopólico que, associados aos avanços tecnológicos e ao advento da globalização, se tornaram transnacionais e hegemônicas.
Para tanto, foi necessária uma modificação no discurso adotado pela mídia: campos que antes apresentavam contornos muito bem delimitados, passaram, hoje, a coabitar. Antigamente, a retórica utilizada transformou a informação em um artigo passível de venda às massas, logo, estas deveriam ser capazes de diferenciar o produto adquirido, ou seja, a informação, da publicidade. O que acontece na atualidade é que os meios de comunicação se associaram aos produtores de bens de consumo e vendem “consumidores a seus anunciantes”[2]; em alguns casos a empresa jornalística chega a ter participação percentual nos lucros advindos da venda dos produtos anunciados. Não raro se encontra na Internet, links para sites de vendas de produtos entremeadas a notícias presentes em jornais de renome. É inegável o comprometimento da credibilidade mediante tais acordos que, com a convergência das mídias, vêm se tornando a cada dia mais comuns.
A difusão e influência alcançadas pelos veículos de comunicação se devem, também, a características que, atualmente, são a marca registrada do sistema. Sendo destinada a atender aos interesses dos anunciantes e tendo sua produção paga quase que totalmente por este, a informação é repassada ao consumidor, se não gratuita, com um valor monetário bem reduzido. Pode-se observar que em grande parte dos sites é possível navegar livremente, bastando que, para isso, o usuário faça a inscrição do seu e-mail para recebimento da newsletter, isto é, publicidade do próprio site e de seus associados, personalizada ao consumidor pelo uso do banco de dados.
Outra característica da informação é a velocidade: a notícia é veiculada em todas as partes do globo instantânea e simultaneamente. Não importa a localização geográfica do indivíduo; é quase certo que ele esteja inserido em uma das formas de recebimento de dados. Tal rapidez, longe de visar a uma participação mais abrangente da sociedade como um todo, veio atender às necessidades da economia mundial, possibilitando que as grandes corporações adotem medidas em curto prazo. Quanto às informações que chegam à população, estas são mais e mais semelhantes ao discurso panfletário, com manchetes impactantes, textos curtos, superficiais e permeados de achismos. O escasso tempo destinado à fabricação do conteúdo jornalístico vem fazendo da notícia um artefato subjetivo, sobre a qual pesam as impressões e sentimentos do jornalista.
Além – e, talvez, acima – destas particularidades relacionadas ao tema discutido, esteja a espetacularização da mídia. Os meios de comunicação mais do que servirem à disseminação de informação, fazem-na dedicada ao entretenimento. A indústria cultural é, hoje, o ramo mais importante de todo o complexo econômico, por ser o elemento que ditará as regras a serem seguidas pelos consumidores. O desenvolvimento de um sistema cultural forte – leia-se persuasivo – garante o condicionamento público aos ditames políticos, religiosos, sociais e, obviamente, econômicos.
Daí que as empresas midiáticas não estejam se restringindo as suas áreas de atuação específicas. As megafusões, ou seja, junção de empresas especializadas em funções distintas, estão se tornando parte da evolução natural do setor comunicacional. As razões para a unificação passam aquém e além do que seria considerado convencional. Em outras palavras, qualquer que seja o serviço oferecido por uma empresa associada à “máquina”, esta terá que se prestar ao espetáculo.
Foi durante e através do desenvolvimento da indústria cultural que os parâmetros vigentes na fórmula norte-americana do chamado “fazer comunicação”, foram assimilados pelo mundo. A estética, as técnicas, as abordagens, em suma, quase todos os padrões utilizados no globo atualmente, tiveram como princípio o modelo imposto pelos Estados Unidos. Desde o fim da 2ª Guerra Mundial, período este em que se efetivou a sua expansão ideológica, o molde da nação hegemônica transformou a comunicação em uma peça homogênea, um produto cultural insosso, engolido a seco pela horda de consumidores globais.
Contracorrente, a despeito do nome comunicação social, os movimentos comunicativos de base realmente social são exceções e tentam reverter o cenário presente. Seus alicerces também estão resguardados pelo lucro mas este se concilia aos objetivos fundamentais da difusão informacional. O que se passa nestes veículos de comunicação alternativos é que os princípios empresariais capitalistas não se sobrepõem e sim, se compactuam com o conceito e a prática da democracia.
A pluralidade de valores e idéias, mais do que uma utopia, procura, nos meios alternativos, ser parte da realidade. Esta é, inclusive, um dos pontos de defesa da Internet, espaço aberto à livre informação, direitos iguais de circulação de pensamentos opostos e culturas diferentes.
Com o crescimento do número de pessoas que possuem educação formal superior e, pressupõe-se, a elevação do nível sócio-cultural da população, opera-se um maior questionamento em relação ao papel a ser assumido pelo indivíduo no sistema de comunicação. A Internet possibilita que a sociedade atue ativamente no processo de produção e disseminação da informação, exigindo que se revejam as funções dos atores em cena. Não há como conter o florescimento de discursos heterogêneos na rede, provocando uma reavaliação da mídia como um todo.
Muito freqüentes nos últimos tempos, têm sido os debates e pesquisas acerca dos complexos informacionais. Estudam-se seu nascimento e desenvolvimento, discutem-se suas características e influências, questionam-se o seu caráter elitista e fragmentador. Buscam-se alternativas para a exclusão digital e para a melhoria da mídia. Percebe-se que a sociedade parece abandonar, aos poucos, o mundo das sombras para vislumbrar a verdade dos fatos.
Atitudes concretas provam que não é onírico, o sonho de uma outra comunicação. O site do “America Society of Magazine Editors” é um exemplo disso, deixando explícita sua posição:
“A ‘ASME’ criou linhas de direção para garantir clara a distinção existente entre publicidade e material editorial” e “em 1996, a ASME anunciou que seguiria padrões para independência editorial, um esforço para confirmar os mais altos no jornalismo de revista e para enfatizar a independência comercial e de pressões não jornalísticas”.[3]
Postura semelhante é adotada pelo site do programa televisivo “Observatório da Imprensa” que se assume colaborador na construção de uma mídia mais democrática:
“Entidade civil, não-governamental, não-corporativa e não-partidária, que pretende acompanhar, junto com outras organizações da sociedade civil, o desempenho da mídia brasileira. O ‘Observatório da Imprensa’ funcionará como um fórum permanente onde os usuários da mídia - leitores, ouvintes e telespectadores -, organizados em associações desvinculadas do estabelecimento jornalístico, poderão manifestar-se e participar ativamente num processo no qual, até agora, desempenhavam o papel de agentes passivos”.[4]
A maioria dos movimentos de resistência ao domínio dos meios de comunicação é encontrada na Internet, que se transformou em um pólo de convergência dos insatisfeitos. A população civil está conquistando, ao largo, o espaço virtual, o qual se mostrou, por um lado tridente de Netuno e, por outro calcanhar de Aquiles dos media. A nova configuração que rebenta é apenas o começo de uma outra história: do reinado das máquinas em um universo dirigido por homens.
[1] CANCLINI, N. G. , Consumidores e cidadãos, Rio de Janeiro, UFRJ, 1995, p.30.
[2] RAMONET, Ignácio, “Internet e sociedade em rede”, in Dênis de Moraes (org.), Por uma outra comunicação, Rio de Janeiro, Record, 2003, p.248.
[3] http://www.magazine.org/Editorial/ASME/
[4] http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/
Um comentário:
Otimo texto
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