quinta-feira, dezembro 28, 2006

bom dia, lua
boa noite, sol
tarde de estrelas
anzóis de ares
do mar, flanares
gotas de seca
cupim de alma
entalhe de calma
em madeira sem lei
fruto permitido
pro pecado absolvido
grilhão em testa de rei
salve, excelentíssimo vadio
arrasta-pé, sangue azul não quisto
bandeira branca pra tempos de paz
decadência cintilante
fortaleza de origami
fragilidade a prova de mas

sábado, dezembro 09, 2006

sábado, dezembro 02, 2006

douto em letras clandestinas
estirado à calçada, um vígil mendigo
é o oráculo de katmandu.
com a caneta-tinteiro, ele arranha em papiro
o registro de cancros que não cicatrizam
de porres, ressacas que vê pervagar.
do inventário lavrado à nanquim invisível
de sendas raptadas do absoluto sigilo
na folha de rosto, ele anota os vícios
de uma santa de barro, disposta a quebrar.
resmunga preces de fervoroso desatino
a desnuda do véu, imaculado vestido
só para vê-la em carne, maldita e fugaz.