jantaria
tua
nua
crua carne
antropoTUAfagia
segunda-feira, outubro 30, 2006
quinta-feira, outubro 12, 2006
Disse-me que morava em uma fazenda junto da irmã e do cunhado. Eram, no todo, dezesseis. Filhos de pai, oito de mãe. Quando foram crescendo, a mão paterna conduziu cada um à estrada. “Não tem arado pra todos” – foi o que ouviu. São só vinte e cinco mil pés de café, não muito além de cem sacas por estação.
Este ano, contou-me, uma infestação de cigarra atacou a lavoura e devastou a plantação. “O vidro de veneno custa seiscentos reais e não couraça nem mesmo mil pés”. Há duas colheitas, quase que se foi para Campinas, “tentar a sorte em uma capital”. Mas a irmã e a mãe pediram que ficasse a ajudar o cunhado com o cafezal.
“Essa noite, vou para a cavalgada de Nossa Senhora, conduzir a imagem da santa desde Fama até a igreja da Aparecida. Aquela perto do cemitério”, explicou-me. “É uma comitiva de cavalos que sai às três horas da manhã e apeia às sete, quase na hora da Missa dos Romeiros”.
Apontou-me Serrania, logo ali naquelas casas brancas, “tá vendo?”. Falou que seguiria pela esquerda e que eu seguisse reto. Perto dos eucaliptos, caso fosse pela direita, estaria na rodovia de retorno. À esquerda, na cidade indicada.
Meio sem jeito estendeu-me a mão. “Vai com Deus, dona”. Aceitei de bom grado aquele aperto desconhecido. “Boa sorte, Tadeu”, depois o vi tocar pela estrada de terra sobre uma bicicleta que ele possuía há bem mais de quinze anos. “Careca, mas nunca furou um pneu”, gabara-se mais cedo.
E foi-se embora assim, com sua marcha devagar naquele caminho de terra batida. Deixou-me como recomendação o cuidado com as costeletas do caminho, “já vi muita gente pendida nesses buracos de chuva”.
Semi-homônimo de santo das causas difíceis e desesperadas, parecia me instruir do que se sucederia pela frente. Em meu caminho de volta, tombei numa destas valas e capotei. Desobediente à providência divina, luxei o cotovelo e logrei a penitência de carregar no braço direito cerca de três quilos de gesso por um mês. Flagelo que não de fé, me foi impugnado pelo excesso de desatenção.
Este ano, contou-me, uma infestação de cigarra atacou a lavoura e devastou a plantação. “O vidro de veneno custa seiscentos reais e não couraça nem mesmo mil pés”. Há duas colheitas, quase que se foi para Campinas, “tentar a sorte em uma capital”. Mas a irmã e a mãe pediram que ficasse a ajudar o cunhado com o cafezal.
“Essa noite, vou para a cavalgada de Nossa Senhora, conduzir a imagem da santa desde Fama até a igreja da Aparecida. Aquela perto do cemitério”, explicou-me. “É uma comitiva de cavalos que sai às três horas da manhã e apeia às sete, quase na hora da Missa dos Romeiros”.
Apontou-me Serrania, logo ali naquelas casas brancas, “tá vendo?”. Falou que seguiria pela esquerda e que eu seguisse reto. Perto dos eucaliptos, caso fosse pela direita, estaria na rodovia de retorno. À esquerda, na cidade indicada.
Meio sem jeito estendeu-me a mão. “Vai com Deus, dona”. Aceitei de bom grado aquele aperto desconhecido. “Boa sorte, Tadeu”, depois o vi tocar pela estrada de terra sobre uma bicicleta que ele possuía há bem mais de quinze anos. “Careca, mas nunca furou um pneu”, gabara-se mais cedo.
E foi-se embora assim, com sua marcha devagar naquele caminho de terra batida. Deixou-me como recomendação o cuidado com as costeletas do caminho, “já vi muita gente pendida nesses buracos de chuva”.
Semi-homônimo de santo das causas difíceis e desesperadas, parecia me instruir do que se sucederia pela frente. Em meu caminho de volta, tombei numa destas valas e capotei. Desobediente à providência divina, luxei o cotovelo e logrei a penitência de carregar no braço direito cerca de três quilos de gesso por um mês. Flagelo que não de fé, me foi impugnado pelo excesso de desatenção.
Postado por
TatiResinentti
às
3:46 PM
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quinta-feira, outubro 05, 2006
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